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EDITORIAL DE ABRIL

Uma operação desastrosa

 

  Você pagaria R$ 1 mil por um bem que na verdade custasse menos de R$ 100? Isto mesmo, dez por cento do seu verdadeiro valor. Uma operação de compra nesses moldes foi feita pela Petrobras, a principal empresa estatal brasileira, uma das maiores do mundo. A compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, feita na época em que a presidente Dilma Rousseff era presidente do Conselho Administrativo da companhia, deve atrapalhar a corrida pela reeleição dela em outubro próximo.

Em 2005, a belga Transcor/Astra comprou a refinaria de Pasadena por 42,5 milhões de dólares. No ano seguinte, a Petrobras comprou metade das ações da empesa por 429 milhões de dólares. Uma supervalorização de mais de 1.000%. Mas o maior baque veio três anos depois, quando os belgas se “desinteressaram” pela refinaria e obrigaram a estatal brasileira a comprar a outra metade da companhia. Após uma disputa judicial, vencida pelos belgas, a Petrobras desembolsou mais US$ 820 milhões para ficar com a empresa. Total da conta: US$ 1,25 bilhão.

As explicações dadas pela presidente Dilma e por diretores da Petrobras são desencontradas. Inicialmente, ela afirmou que discordou do parecer da operação. Depois disse que a operação não deu prejuízo ao país. No dia 15 deste mês, a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a operação foi um desastre, do ponto de vista contábil. No meio disso tudo, há um ex-diretor da estatal preso, acusado de corrupção, desvio de dinheiro, entre outros crimes contra o sistema financeiro.

O PSDB, liderado por Aécio Neves, e o PSB, do pré-candidato Eduardo Campos, tentam criar uma CPI para investigar a Operação Pasadena, mas o governo vem tentando esvaziá-la, oferecendo uma investigação mais ampla, que inclua o metrô de São Paulo e o porto de Suape, numa tentativa de atingir Neves e Campos.

 

A tendência é não se investigar nada, pois os interesses políticos em jogos são muito grandes, mas a mancha negativa na história da maior empresa do Brasil deverá ficar para sempre. Se o Brasil fosse um país sério, já teriam caído ministros, a diretoria da Petrobras e até a presidente da República estaria balançando no cargo. Mas, como estamos num país onde há leis que pegam e outras não, dá para imaginar o que o futuro nos reserva.


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