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EDITORIAL

 

A Lava Jato corre risco

 

A nomeação de Fernando Segóvia para diretor geral da Polícia Federal, cuja posse aconteceu no último dia 20, colocou dúvidas sobre o futuro da Operação Lava Jato, a maior investigação já realizada no país, cujo sucesso é considerado inegável, pelas prisões e pela quantidade de dinheiro que já conseguiu devolver aos cofres públicos. Segóvia afirmou que “uma única mala talvez não fosse suficiente para comprovar toda a materialidade necessária para se revolver se houve ou não crime”. Ele se referiu à mala levada pelo ex-deputado Rodrigo Rocha Loures contendo R$ 500 mil fruto de propina do dono da JBF, Joesley Batista, supostamente para o presidente Michel Temer.

Nessa fala, Segóvia mostrou a que veio. As próximas ações investigativas da Polícia Federal vão mostrar se o objetivo do novo diretor geral é avançar nas investigações, que podem levar à incriminação do presidente Michel Temer, ou se vai desacelerar os trabalhos.

As manobras que Michel Temer vem fazendo em Brasília para se segurar na cadeira de presidente passam do limite do absurdo. Às claras (e às vezes na calada da noite), ele recebe parlamentares para negociar sua situação perante o Congresso Nacional. A liberação de milhões de reais em emendas parlamentares tem sido a moeda de troca. O leilão de cargos no Ministério também vem sendo usado, transformando o governo num verdadeiro “balcão de negócios sujos”, como dizia a combativa senadora Heloísa Helena.

Em que pese algum sucesso na recuperação da economia do país, com sacrifícios enormes da população, o governo de Michel Temer tem tudo para ser considerado um dos piores da história do país.


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