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Editorial de março

Nunca mais

No próximo dia 31 completará 50 anos do golpe militar (Revolução para os saudosistas). Embalados pelo momento em que o país vive, com protestos contra tudo e todos, alguns defensores da intervenção militar no país tentam reavivar os ideais que permearam aquele ato. Uma “Marcha da Família com Deus” foi programada para o último dia 22 em várias cidades do país, mas ao que parece o brasileiro já não se interessa pelo tema. No Recife, por exemplo, apenas seis pessoas se reuniram na Praça do Derbi para o evento.

O deputado federal Jair Bolsonaro, que é militar e defensor ardoroso do Golpe, quer promover uma sessão solene na Câmara dos Deputados para lembrar a data. Por outro lado, lideranças de esquerda, como a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) também quer lembrar o Golpe, mas com outra conotação, mostrando pessoas que foram torturadas e perseguidas pela Ditadura Militar. A tendência é a sessão não se realizar, devido ao risco de confronto entre as forças antagônicas.

Aproveitando o momento de certa instabilidade em que o país está vivendo, com manifestações pipocando por todo canto, muitos defendem a volta dos militares ao poder “para colocar ordem no país”, como costumam afirmar. Muitos jovens, que não viveram nem estudaram a fundo sobre o Golpe Militar, acabam aderindo à ideia. Eles não sabem o que aconteceu de fato no país nos anos que se seguiram à implantação da Ditadura Militar. Do contrário estariam rejeitando a ideia da volta dos militares. Não sabem, por exemplo, que milhares de brasileiros foram presos, torturados e até mortos pelo simples fato de sonharem com uma sociedade mais justa. Estes jovens de hoje não sabem que ao longo dos 20 anos do regime de exceção a dívida externa do país cresceu a tal ponto que levou a inflação a níveis estratosféricos, que a corrupção era tão grande ou maior do que a que vemos hoje, que os meios de comunicação viviam sob a vigilância onipresente da Censura. Só era publicado o que interessava ao regime.

 

Esperamos que as pessoas não caiam no discurso falacioso que defende a volta dos militares ao poder como a salvação do Brasil. Alguém já disse: a democracia pode ser o pior dos regimes, mas ainda não inventaram outro melhor.


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