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O americano não sabe votar?

Novembro de 2016

 

Tão logo foi anunciada a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, choveram críticas de todo o mundo contra o sistema eleitoral norte-americano e especialmente para o eleitor estadunidense, por eleger um candidato com ideias conservadoras e retrógradas, na contramão do mundo atual e que não está a altura do cargo de mandatário da nação mais rica e influente do planeta. Para muita gente, a democrata Hilary Clinton, em que pese seus deslizes como secretária de Estado, tem um currículo bem melhor e ideias mais avançadas do que seu oponente.

Muita gente começou a dizer que o americano, assim como o brasileiro, não sabe votar. A sensação foi: “Ah, eles são como nós”. Na verdade, para entender a eleição é preciso estudar a sociedade norte-americana. Lá, a classe média é majoritária e a parcela de milionários não tem paralelo no mundo. Então, um candidato que diz que vai reduzir impostos, cortar incentivos na saúde pública – que gera menos despesa para os mais abastados – e expulsar os imigrantes ilegais agrada a um contingente numeroso do eleitorado.

Outro fator que deve ser levado em conta é o sistema eleitoral, que é bem diferente do brasileiro. Enquanto aqui a eleição para presidente é direta, onde o mais votado é o vencedor, nos EUA nem sempre quem tem mais voto ganha. Quem elege o presidente são os delegados de cada partido. A eleição é basicamente estadual, onde cada estado tem regras próprias. Há estados em que o candidato mais votado leva todos os delegados, enquanto noutros o sistema é proporcional. Nesta eleição, Hilary Clinton obteve mais votos populares, mas Trump ficou com mais delegados. Esse sistema eleitoral – que tem mais de 200 anos – é considerado desatualizado. A corrente que pede mudanças vem crescendo a cada eleição.

No mais, espera-se que Trump, ao passar a morar na Casa Branca, reveja algumas de suas posições, principalmente na área econômica e climática, para que o mundo possa viver melhor.


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