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ZÉ AMÉRICO

 

Outubro de 2016

 

Memórias políticas

 

Acompanho a política desde muito jovem. Na minha memória estão registradas campanhas como a do médico Lauro Raposo, candidato a prefeito de Goiana, em 1947. E os embates políticos, de Igarassu, entre Múcio Bandeira e Taylor Rezende. Miguel Godim e Fernando de Paula Pinto, em 1955. Ou, o primeiro insucesso de Paulo Guerra, ocorrido em 1958, quando ele apoiou Jarbas Maranhão ao governo do estado. O grande vitorioso foi o candidato Cid Sampaio. Em Igarassu, os Cidistas trabalharam de forma silenciosa, quase imperceptível, entre eles estavam Yêdo Ribeiro, Flamarion Vilarim, João José (guarda do Presídio) e eu. As furtivas reuniões ocorriam em frente à Igreja de São Sebastião ou no pé da ponte do Rio São Domingos. Destaque para os empresários Nelson Andrade de Oliveira e seu filho Dr. Baby, únicos assumidamente Cid. Eles eram donos da fábrica de fibra de coco. Após urnas abertas e votos contados, para desagrado de Paulo Guerra, Cid venceu com uma diferença de 86 votos.

Outro embate duríssimo ocorreu entre Severinho Ninho e Joaquim Guerra em 1988. Naquela época a cédula de votação era de papel e a contagem dos votos ocorreu no Clube Afasa. Até hoje, em conversas de bastidores, credita-se a vitória de Joaquim por pouco mais de 200 votos, a manobra de trocar os nomes dos candidatos de posição na cédula de votação, um dia antes da eleição. É preciso esclarecer que os candidatos costumavam distribuir santinhos aos eleitores ensinando a votar, indicando inclusive, a ordem de votação na cédula.   

Participei ativamente também das campanhas que elegeram Jurandir Bezerra Lins, para prefeito, em 1982 e em 1992, cuidando do marketing. Fiz música, jingles e o slogan usado em 92, “Igarassu quer seu filho de volta”, com a ajuda do amigo Zé Nivaldo Jr. marqueteiro de mão cheia, que hoje dirige a conceituada agência de publicidade Makplan. Para os mais jovens segue trecho da música usada em 82. “Meu voto não vendo, não troco, não abro mão. Meu voto é Jurandir, nessa eleição”.     

Militância

Na eleição deste ano, em Igarassu, devido a problemas de saúde, pouco pude acompanhar o ritmo acelerado das caminhadas e porta a porta. Mas graças às redes sociais e conversas com amigos, populares e eleitores roxos, de ambos os lados, pude sentir o termômetro de uma campanha vibrante e disputadíssima. Na minha opinião, a grande estrela desta campanha foi a militância, que conseguiu contagiar até populares, que faziam questão de brigar e vestir a cor de seus candidatos.  Aproveito a coluna para parabenizar ao amigo e prefeito Mário Ricardo pela vitória, que acabou renovando com mais de 38 mil cidadãos, o compromisso de administrar a nossa cidade por mais quatro anos.

Ao companheiro Yves cabe agora avaliar o recado das urnas e se preparar para o próximo embate, afinal de contas, já dizia Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Muda de forma, de sentido e de direção, sem qualquer aviso prévio”.

 


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