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ZÉ AMÉRICO

Junho de 2016

 

Revirando o baú

 

Tenho o hábito de tempos, em tempos eliminar papéis das minhas gavetas. O bom desse costume é que costumo encontrar verdadeiras relíquias, como folders de campanhas políticas e até tickets de metro de viagens. Pois bem, na última limpeza encontrei o discurso de posse da Sociedade Musical 21 de Abril.

Essa Sociedade foi idealizada por mim e pelos amigos Capitão Felipe, Dr. Assis, Zé Inaldo, Luiz Menezes, esses já falecidos e ainda Ferreira, Jorge Domingo e João Messias. A nossa ideia era trazer de volta a cultura das bandas marciais que tocavam nos coretos e praças da cidade, fato muito comum na nossa infância. Aliás, foi esse sentimento que nos uniu.

No meu tempo de menino em Goiana, costumava acompanhar as bandas Sabueira e Curica, que desfilavam pelas suas principais ruas em dias festivos. Ficava também maravilhado com a elegância dos músicos. As músicas executadas pelos maestros Carneiro e Ártico Brum travavam, com muita discrição, batalha pelo título de melhor banda. Os desfiles eram um espetáculo à parte, coisa que nem o tempo consegue apagar, como a execução do dobrado “Cisne Branco”.  

Para pensar e criar o estatuto da Sociedade nos reuníamos na sede do Centro Social de Cruz de Rebouças. Lá, nossa intenção era dar vida a Banda Musical Tiradentes que iria oferecer gratuitamente aos filhos da terra, a oportunidade de aprender a tocar um instrumento e profissionalizar-se como músico.

Durante o discurso de posse da diretoria disse: “Nossa intenção foi preencher uma lacuna sensível na vida cultural de Igarassu. Não era admissível uma cidade com as tradições de cultura de nossa terra permanecer sem a sua banda de música” e encerro minhas palavras citando o cantor pacifista John Lennon que disse “O sonho acabou” ao anunciar o fim dos Beatles, só que nosso caso “O sonho está apenas começando”.

Infelizmente a ideia não passou da cerimônia de posse da diretoria, por falta de apoio da gestão municipal, na época de Jurandir Bezerra, que optou investir na Banda Heitor Vilas Lobos, hoje, campeoníssima que representa muito bem a cidade em vários concursos, e de um jeito, ou de outro, o nosso sonho acabou virando realidade.


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