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Mestre Luiz Carlos Monteiro

Antonio Falcão

 

afalkao@hotmail.com

 

A extinta Livro 7 – livraria que fez o Recife ler – foi palco de ótimos eventos culturais. Afora isso, lá era ponto de encontro de amigos que, quase sempre, abordavam assuntos literários. Tanto que, certa vez, num bate-papo nós falávamos que na qualificação do leitor ou do ficcionista as cantigas de ninar contribuem. E o poeta (então, futuro mestre em teoria da literatura) Luiz Carlos Monteiro disse que boi da cara preta ou pavão em cima do te­lhado, antes de atemorizar, instiga a criatividade da garotada. Adiante, ele acresceu que o mesmo viria das histórias de Trancoso ouvidas pela criança. E a seguir expôs, por exemplo, que as obras infantis de Lobato, Perrault e Ziraldo também estimulam o imaginário dos moleques. Seria, grosso modo, algo como ir da oralidade à linguagem escrita, ajuda do saber natural ao aprendizado sistemático que se recebe em salas de aula. Tudo para que, na adolescência, a compreensão literária seja maior e mais incentivadora – no que concordamos. E já que, além de caçula, Luiz Carlos era o especialista entre nós, eu pedi que ele escrevesse sobre tais passos no aprimoramento de quem lê ou é autor de ficção. No ato, o sensível e cordial homem de letras falou que, com tempo disponível, talvez aprofundasse isto aqui resumido. Portanto, fiquei à espera a partir da metade da década de 1990.

Desde então, li com prazer inúmeros dos seus escritos na mídia de Pernambuco. E nada sobre esses passos “prometidos”. Por isso, nas raras ocasiões em que nos vimos após o fechamento da Livro 7, eu sempre quis lembrar, mas fui evitando para não importuná-lo com cobrança indevida.

Porém, em 2010 – já louvado como escritor e crítico literário –, Luiz era um dos dois organizadores da coletânea “Cronistas de Pernambuco” (Carpe Diem), reunindo escritores daqui e adotivos . Daí, como fez com vários outros, pediu-me um texto para editar e, atendendo-o, cobrei o “ensaio”. Nisso, o intelectual nascido em Sertânia – autor, entre outros livros, de “Para ler Maximiano Campos”, 2008, e “Musa fragmentada – a poética de Carlos Pena Filho”, 2009 – de fato falou que escreveria. Contudo, Luiz Carlos Monteiro não pode cumprir, vez que, meses depois desse contato, faleceu aos 54 anos de idade, desfalcando a inteligência do País. E, pela significativa falta que ele faz, a cultura ainda está enlutada. Isso sem falar em nós, admiradores sau­dosos e carentes do seu enorme talento, claro.

*Escritor


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