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ZÉ AMÉRICO
BOM COMPANHEIRO - A Coluna registra o encontro deste editor com o jornalista, poeta e escritor Xico Sá, na Fenelivro, Feira de Livros do Nordeste, dia 5 deste mês, no Centro de Convenções, em Olinda. Nesse dia, Xico foi um dos palestrantes da Feira, falando sobre um dos assuntos que mais entende, o amor. Ele também foi um dos colaboradores do Jornal de Igarassu, no período em que chegou do Ceará para o Recife. Hoje apesar de ser um superstar da imprensa escrita e televisiva, continua o mesmo, tal e qual como o conheci, sonhador, irreverente e sem frescura. Xico Sá é mesmo, um bom companheiro.

SETEMBRO DE 2015

 

Nos tempos dos festivais

 

Completar 480 anos é um acontecimento histórico para uma cidade, mas Igarassu já nasceu grande quando os portugueses conseguiram vencer os bravos índios, que desfrutavam dessa terra e deram origem a uma das mais tradicionais festas religiosas do Litoral Norte, dedicada aos Santos Cosme e Damião, no dia 27 de setembro.

Desde que aqui cheguei, vindo de Goiana, me encantei pela cidade, constitui minha família, ganhei amigos. Aqui também recebi o título de cidadão Igarassuense, proposto pelo vereador Maguila, fato que até hoje me enche de orgulho. Talvez por isso, nessa edição quero falar de pessoas ou fatos que aconteceram na cidade, num passado mais recente. Como na década de 60, em que sua cena cultural e musical era efervescente, com a participação ativa de Guilherme Paes Barreto, Pedro de Melo Costa, Airton Menezes e de Zezinho Melo, entre outros. Nesse período havia concursos de música, do qual participei do 1º Festival de Música de Igarassu, no ginásio João Pessoa Guerra, com a canção A Criança e a Guerra, ficando em 4º lugar. Pedro levou o 1º lugar, com a música Igarassu do Passado, o 2º, com Carro de Boi, em parceria com Olímpio Sampaio; e o 3º com Vamos à Batucada, com Barbosa Marinho. Tempos depois, minha canção foi gravada pelo cantor Germano Batista, que costumava se apresentar no Programa de Fernando Castelão. Ela ainda seria muito tocada na Rádio Jornal, durante o período da Guerra do Vietnã, que durou mais de 16 anos (1959 e 1975). No 2º Festival, que aonteceu em 1967, participei com a marchinha Viva o Cordão Encarnado, mas não me classifiquei. O jurado e jornalista Celso Marcones, do Caderno Cultural do Jornal do Commercio, em artigo, afirmou que não entendeu a minha desclassificação. O concurso foi patrocinado pela Prefeitura, que gravou um compacto com os quatros primeiros colocados. Desse período lembro-me também que, influenciado pelo auge da MPB, costumava acompanhar os jovens vizinhos da Rua Tiradentes, Ana Maria (ao violão) e Manoelzinho Bezerra, Ana Lúcia de Menezes Costa e minha esposa Janet, para em noites de luar cantarmos Chico Buarque, Gilberto Gil e Cetano Veloso, sentados na minha calçada. Tempos depois, consegui classificar o Frevo Marcha Marinheiro, de minha autoria, em parceria com o meu primo Alcântara de Moraes, no 2º Concurso de Músicas de Carnaval, de 1968, promovido pelo governo da Guanabara, no Rio de Janeiro, com o apoio da TV Excelsior, do Conselho de Música Popular e do Museu da Imagem e do Som. Da região Nordeste se classificaram apenas eu, Capiba e Maestro Dozinho, de Natal. Sem recursos para defender a canção no Rio, busquei patrocínio com o dono da empresa de ônibus Borborema, Arthur Schwambach, que atendeu meu apelo, garantindo as passagens de ida e volta. Já no Rio, fiquei hospedado na Tijuca, em um centro de capacitação dos Correios, graça ao amigo Djalma, da agência Recife, que coincidentemente também estava no Rio participando de uma capacitação nacional. Tal fato me fez viajar praticamente a custo zero. Graças a esse concurso tive a oportunidade de conhecer o produtor musical Nelson Motta.


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