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SETEMBRO 2015

ARTIGO 1

 

Uma vida em vão

 

Antonio Falcão – afalkao@hotmail.com

Quando fui aluno do que hoje se chama ensino médio, Jô (nome fictício) já estava casado, tinha filhos e era sectário à beça. Não sei se militante trotskista ou das Ligas Camponesas. Só que era radical em tudo e, por isso, fez-se malvisto na esquerda. À época, ele dizia que a China maoísta, a incipiente Cuba e a risível Albânia seriam a única solução. Mais grave: insultava os religiosos, tachando-os de “deístas imbecis”. E estudante era “pequeno-burguês de merda”. 

Da ditadura militar a 2013, perdi-o de vista. E, por acaso, soube que enviuvara antes de se mudar de Pernambuco. Mas há quase dois anos, num evento cultural, avistei-o já velhinho, todo trêmulo, andando amparado pela neta. E vali-me duma amiga comum que me apresentou ao próprio, a quem falei que o conhecia. “Nunca lhe vi mais gordo”, disse com alívio e sequer viu minha mão estendida para o cumprimento. Providencial, a amiga expôs que eu também fora militante. Aí, de cenho franzido e voz ainda mais sôfrega, Jô explodiu dizendo que a esquerda apunhalara o socialismo pelas costas e, daí, ele achava que toda sua vida foi em vão. Não satisfeito, deu como “típico ultraje à classe operária” o ex-presidente Lula, cujo governo “só serviu às grandes empresas e ao imperialismo ianque”.

Em silêncio, a amiga ouviu esse linguajar político ultrapassado. E, aproveitando o instante de perplexidade, eu falei a Jô que respeitava sua opinião e que nunca fui petista. Mas via nos programas sociais do governo do PT um ganho real dos que trabalham. Para ilustrar, lembrei que mais de 50 milhões de brasileiros ascenderam socialmente graças aos governos de Lula e Dilma. O velhote me chamou de besta e disse que eu confirmava “o ganho do capital imperialista”. Então, vendo o avô irritado e sem controle, a moça nos saudou e quis sair com ele. No entanto, com esforço, Jô nos disse aos gritos que o melhor paraíso comunista ele veria no Além, ao lado de Deus. Isso por obra e graça da sua igreja evangélica. “E verdadeira”, acresceu. Depois, deixou-se conduzir docilmente pela netinha, coitado.

Pasmo, desejei no íntimo que Jô achasse no reino da sua crença a utopia que por aqui já se foi. Enquanto isso, poeticamente, a minha amiga comparou o ex-revolucionário a um barco sem porto, navegando à deriva. E, entristecida, ela de voz embargada me disse pois é. 

*Escritor

 

 

ARTIGO 2

 

Igarassu mui bela cidade.


Ivan Rodrigues*


A mui nobre e sempre leal Vila dos Santos Cosme e Damião, posteriormente cidade de  Igarassu, está localizada às  margens do Oceano Atlântico. Agraciada por paisagens  exuberantes e de povo hospitaleiro. A sua história marca o início da história de Pernambuco e do Brasil. Igarassu é o berço da cultura lusoamericana e seus filhos, desbravadores de terras longínquas. 

A importância de Igarassu ultrapassa fronteiras e muitos a enaltecem. Gilberto Freyre, em longo artigo, disse que: “...Olinda é a mãe de Recife e Igarassu é a avó. Igarassu foi um dos primeiros pontos de colonização da América...”. 

E, graças ao Deus criador de todas as coisas, trouxe para Igarassu homens que amaram esta terra. O exemplo disso é Dr. Eduardo de Brito, que se uniu a outros amantes deste maravilhoso torrão e criaram o Instituto Histórico de Igarassu em 23 de maio de 1953.  Depois de certo  tempo essa tão gloriosa instituição adormeceu. Mas Igarassu tem filhos de coragem e valor. Os professores de História Jorge  Barrêtto  e Fernando Melo decidiram reerguer essa  tão importante instituição. Apaixonados  por  História e principalmente por Igarassu,  convidaram historiadores, biólogos, geógrafos, físicos e pessoas de outras áreas do conhecimento. E como a Fênix ressurgiu das cinzas, a insigne instituição, que hoje denomina-se Instituto Histórico e Geográfico de Igarassu (IHGIg), que tem como função divulgar a história e a cultura igarassuense.  Aos 62 anos, jovem, porém com uma maturidade ímpar, essa instituição busca a cada dia renovar seu compromisso com a  história e cultura de nossa cidade. Em  nome deste tão nobre solidalício parabenizo o município de Igarassu pelos seus 480 anos. Vida longa ao Instituto Histórico e Geográfico e à mui bela cidade de Igarassu. 

 

* Professor de História e presidente do IHGIg


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