Notícias da Web

Edição de abril-2015

Muito obrigado, Terêza

 

Antonio Falcão*

 

afalkao@hotmail.com

 

    Ali pelos anos 80, eu estava num bar com a finada Carmita Sobral  (irmã  caçula  das  queridas  Lígia  e  Gracinha)  e  a  poeta Terêza  Tenório.  Com razão,  elas  sentiam a ausência  de nomes femininos  em  unidades  de  saúde.  Por  isso,  hoje,  creio  que sugerissem comigo  o  nome  de  Naíde  Teodósio,  a  cientista  do povo, pro Hospital da Mulher. Também com ambas a nossa turma se reunia aos domingos na praia de Boa Viagem, quando Terêza alternava conosco a recitação de textos. Ela curtia poesia populare lhe rogávamos que dissesse os versos de Zé Limeira rimando “a desgraça de Sansão foi trair Pedro Primeiro...” E, vez por outra, eu  dizia  A chegada de   Lampião  no  Inferno,  de  José  Pacheco. Bons tempos...

  Mas em dezembro de 1995, quando lancei “Mil, novecentose  nós” (Ed.  Comunicarte/Recife)  em  um  botequim  do  então aprazível  Sítio  dos  Valença,  o  câncer  já  havia  nos  subtraído Carmita. A escritora Terêza esteve no lançamento e, lá, foi vítima de  sequestro.  É  que,  com  uns  80  livros  autografados,  um assaltante pôs o berro no rosto da minha mulher (que vendia os exemplares) e ela sensatamente entregou a bolsa com o apurado em dinheiro e cheques. A seguir, quando com um comparsa saíado  bar,  o  bandido  rendeu  Terêza  e  a  fez  levá-los  de  carro  ao Centro do Recife. Isso – comentado en passant no recifense Jornal do Commercio pelos cronistas  Juracy Andrade e Ronildo Maia Leite – repercutiu no meio literário local. E no botequim chocou, entre outros, aos agora extintos Fernando Jaburu, Byron, Amaro Gantois,  Manuelzinho  (goleiro),  Ronildo,  Vileni  Garcia,  Luiz Carlos Duarte, Vaninha Costa Lima e Clávio Valença. (Com este, por  sinal,  a  também  advogada  Terêza  teve  um  namorico meteórico.)

  Já o mês passado, no lançamento do ótimo “O senhor agora vai mudar de corpo” (Ed. Record/Rio), de Raimundo Carrero, euquis  saber  da  poeta  e  não  tive  notícia.  Porém,  no  Jornal  do Commercio  de  1º  de  março  o  antenado  escritor  José  Mario Rodrigues  nos  disse  que  ela,  a  quem  tanto  devemos,  está “gravemente viva”. Daí, deste espaço eu agradeço à minha amiga Terêza Tenório pelo que nos legou literariamente.  E lhe desejo plena recuperação da saúde, claro.

*Escritor

 

Sim, e a Petrobrás?

 

Olbiano Silveira*

 

   Está sendo apresentado à sociedade quase como um apocalipse a fenomenal roubalheira na nossa Petrobrás. E praticamente todos – em especial a imprensa – tratam do assunto como se estivessem obnubilados, fora de órbita - para usar conceitos singelos, eufemismos. Gente, óbvio que não é por aí. Roubalheira inominável, como é o caso, tem que ser tratada exatamente assim, como roubalheira, por todos os títulos execrável. Os atores responsáveis têm de exercer as tarefas necessárias à busca da solução, isto é, mobilizar a polícia. E é a policia quem está cuidando de forma implacável como deve ser. De tão escabroso o episódio, a própria polícia tomou a iniciativa de fazer a devassa, sem esperar a denúncia de quem de direito, ou de dever. A omissão de não denunciar logo e pedir providências contra os ladrões é outra história a ser esclarecida pela polícia e pela justiça, de modo que não fique um só dos assaltantes palitando os dentes. Todos, sem qualquer tipo de exceção, devem pagar. E pagar caro porque cometeram e cometem crimes bem além de hediondos. É com este objetivo – espera-se, sinceramente – que está rolando a investigação na justiça e os cidadãos de bem deste país alimentam a esperança de uma solução minimamente satisfatória, capaz de recuperar o que foi subtraído pelos salteadores e a condenação de todos eles como prevê a lei. Com o rigor necessário.

   Observemos, com o devido cuidado, que o caso não vem sendo tratado pela imprensa e pelos autodenominados representantes da oposição ao governo, da forma como deve ser: caso de polícia. E, se há, como de fato há, políticos responsáveis pela esculhambação, o tema não deverá passar à esfera política, mas ainda mais profundamente da polícia. Inegável que o viés político não pode ser simplesmente desconsiderado porque os aspectos políticos não têm como ser dissociados  de qualquer atividade ou episódio da vida em sociedade. Mas na hora de separar, impõe-se fazê-lo.Enfim, o indispensável, mesmo, é a defesa intransigente com o fim de salvar Petrobrás porque a Petrobrás somos nós, é a nação. Ela não age a favor nem contra quem quer que seja ou contra qualquer situação. As pessoas é que a fazem agir, interagir, funcionar enfim. E isto é o bastante para a compreensão de que a empresa não deve jamais figurar como criminosa, como autora de roubalheira ou outra coisa qualquer. Os bandidos que a saquearam e saqueiam é que devem ser agarrados e encarcerados, um a um. O que nos cabe, a nós cidadãos, à imprensa e a todas as instituições sérias, é defender incondicionalmente a empresa porque ela é patrimônio nacional, um patrimônio, pode-se afirmar, sagrado. Exercendo-se, como parece inarredavelmente necessário, a missão de defendê-la, estar-se-á, isto sim, praticando o dever de cidadania, de condenação às investidas alienígenas e de grupos econômicos, domésticos e de outras plagas, nem um pouco – antes pelo contrário -  interessados na autodeterminação do nosso país.

 

* Jornalista


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