Notícias da Web


EDITORIAL

MAIO DE 2017

 

Alcançamos a maioridade

 

O Jornal do Grande Recife completa, neste mês de maio, dezoito anos de circulação ininterrupta. Trata-se de um momento significativo que deve ser bastante comemorado por todos nós. Poucos são os veículos de comunicação impressa fora dos grandes periódicos que alcançam esse feito.

Mas para chegar até aqui não foi fácil. A luta mensal para colocar um jornal de qualidade nas mãos dos leitores exigiu muito esforço de todos nós. Quando iniciamos, em 1999, o Brasil vivia a boa fase do Plano Real, com a economia estabilizada e em franco crescimento. Atravessamos a primeira década do ano 2000 sem maiores sobressaltos. Nos últimos quatro anos, o país vem experimentando a maior crise econômica de sua história. Mas isto não foi motivo para desanimarmos. Com criatividade e muita persistência, estamos atravessando esse momento de turbulência, antevendo novos projetos para os próximos dias, olhando para o futuro.

Uma de nossas conquistas, nesse período foi a implantação da versão on line do jornal, que permite a sua leitura, tal qual a versão impressa, em qualquer parte do planeta. Estamos também atuando em outras frentes na plataforma digital, com página no Facebook e perfil no Twitter.

O Jornal do Grande Recife tem muito a comemorar. E esta celebração vem acompanhada dos nossos colaboradores, anunciantes e você, leitor, personagem fundamental para a consolidação da nossa liderança no Litoral Norte.

E viva a maioridade!



O americano não sabe votar?

Novembro de 2016

 

Tão logo foi anunciada a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, choveram críticas de todo o mundo contra o sistema eleitoral norte-americano e especialmente para o eleitor estadunidense, por eleger um candidato com ideias conservadoras e retrógradas, na contramão do mundo atual e que não está a altura do cargo de mandatário da nação mais rica e influente do planeta. Para muita gente, a democrata Hilary Clinton, em que pese seus deslizes como secretária de Estado, tem um currículo bem melhor e ideias mais avançadas do que seu oponente.

Muita gente começou a dizer que o americano, assim como o brasileiro, não sabe votar. A sensação foi: “Ah, eles são como nós”. Na verdade, para entender a eleição é preciso estudar a sociedade norte-americana. Lá, a classe média é majoritária e a parcela de milionários não tem paralelo no mundo. Então, um candidato que diz que vai reduzir impostos, cortar incentivos na saúde pública – que gera menos despesa para os mais abastados – e expulsar os imigrantes ilegais agrada a um contingente numeroso do eleitorado.

Outro fator que deve ser levado em conta é o sistema eleitoral, que é bem diferente do brasileiro. Enquanto aqui a eleição para presidente é direta, onde o mais votado é o vencedor, nos EUA nem sempre quem tem mais voto ganha. Quem elege o presidente são os delegados de cada partido. A eleição é basicamente estadual, onde cada estado tem regras próprias. Há estados em que o candidato mais votado leva todos os delegados, enquanto noutros o sistema é proporcional. Nesta eleição, Hilary Clinton obteve mais votos populares, mas Trump ficou com mais delegados. Esse sistema eleitoral – que tem mais de 200 anos – é considerado desatualizado. A corrente que pede mudanças vem crescendo a cada eleição.

No mais, espera-se que Trump, ao passar a morar na Casa Branca, reveja algumas de suas posições, principalmente na área econômica e climática, para que o mundo possa viver melhor.



Uma PEC necessária, porém...

Outubro 2016

 

A Câmara dos Deputados passou em primeira votação nesta segunda-feira a proposta de emenda constitucional que cria uma teto para os gastos públicos, a PEC 241, que congela as despesas do Governo Federal, com cifras corrigidas pela inflação, por até 20 anos. Com as contas no vermelho, o presidente Michel Temer vê na medida, considerada umas das maiores mudanças fiscais em décadas, uma saída para sinalizar a contenção do rombo nas contas públicas e tentar superar a crise econômica. O mecanismo enfrenta severas críticas da nova oposição, liderada pelo PT, pelo PSOL e pelo PCdoB, mas também vindas de parte dos especialistas, que veem na fórmula um freio no investimento em saúde e educação previstos na Constituição. O texto da emenda, que precisa ser aprovado em uma segunda votação na Câmara e mais duas no Senado, também tem potencial para afetar a regra de reajuste do salário mínimo oficial.

A PEC 241 basicamente fixa por até 20 anos, podendo ser revisado depois dos primeiros dez anos, um limite para as despesas: será o gasto realizado no ano anterior corrigido pela inflação (na prática, em termos reais - na comparação do que o dinheiro é capaz de comprar em dado momento - fica praticamente congelado). Se entrar em vigor em 2017, portanto, o Orçamento disponível para gastos será o mesmo de 2016, acrescido da inflação daquele ano. A medida irá valer para os três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário.

Esta é a primeira proposta concreta de dar um basta na gastança do governo, que sempre foi perdulário. Se não fosse o rombo nas contas públicas, motivado principalmente pela dívida interna e pelo descontrole da Previdência Social, nenhuma medida séria teria sido tomada. A PEC 241 é necessária, porém peca por limitar gastos em duas áreas “intocáveis” em qualquer gestão pública no Brasil: saúde e educação. A flexibilização – ou um gatilho – nestes dois setores, que pudesse corrigir distorções e aumentar os investimentos tornaria a PEC praticamente uma unanimidade.



Os ministros de Temer

 

Junho de 2016

 

O governo do presidente interino Michel Temer está completando um mês. Nessas quatro semanas, três ministros nomeados por ele tiveram que deixar o governo, devido a denúncias de envolvimento com a corrupção. Romero Jucá (Planejamento), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fabiano Silveira (Transparência, Fiscalização e Controle) foram forçados a pedir demissão por serem denunciados na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na estatal Petrobrás. Dos 22 ministros escolhidos por Temer, pasmem, outros 16 possuem algum tipo de envolvimento com denúncias de corrupção. Hoje, a maior dificuldade do presidente é encontrar algum amigo ou aliado que esteja com a ficha limpa.

Temer não está sozinho nesta estatística nefasta. A presidente Dilma Rousseff também tinha um bocado de auxiliares metidos em denúncias de corrupção, Lula e FHC idem. Esta situação tem levado o Brasil a perder cada vez mais a credibilidade perante outros países, que têm interesse em fazer negócios por aqui.

Há quem considere essa situação o pior dos mundos para o Brasil. Ledo engano. Cada vez que um ministro cai por envolvimento em coisas erradas, é sinal de que as instituições estão funcionando no país, que o braço longo da Justiça ainda está funcionando, em que pese as decisões questionáveis.

Analisando o momento atual do país, faz-se necessário apoiar cada vez mais a Operação Lava jato, cujo comandante, o juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, parece estar metido numa verdadeira cruzada contra a corrupção. Há de se louvar a atitude do juiz, que, a despeito dos protestos dos envolvidos, mantém-se firme, mandando para o xadrez figuras proeminentes do poder econômico do país, como é o caso dos diretores de empreiteiras e publicitários de alta estirpe.

É assim, eliminando os políticos corruptos um a um que, quem sabe, um dia poderemos ter mandatários melhores a governar o nosso país. O eleitor, que será chamado a votar no próximo dia 2 de outubro, também pode colaborar com a Justiça, deixando de eleger candidatos processados que estejam tentando chegar lá através de liminares ou mandados de segurança.



Grande Recife aos 17

 

Maio de 2016

Dependendo das circunstâncias, o tempo pode passar sem percebermos. Tem sido assim com este Jornal do Grande Recife, que neste mês completa 17 anos de circulação ininterrupta. Já chegamos a 215 edições mensais, além de tabloides extras. Ao chegarmos próximo da maioridade, a sensação é de vitória. Afinal, quando circulamos com a primeira edição – pioneira na região em termos de periódicos de alcance regional – imprimimos nossa marca e construímos nossa credibilidade e força. A fidelidade dos nossos leitores e a parceria com os anunciantes têm proporcionado ao jornal alcançar este feito.

A qualidade do Grande Recife, condição essencial para merecermos a atenção dos leitores, passa pelo nosso ilustre time de colaboradores, que mensalmente enviam suas matérias para publicação no jornal. Figuras como Antonio Falcão, Fernando Melo, Chico Carlos e Genilse Gonçalves são parte importante da trajetória de sucesso do GR.

Ao atingirmos essa marca significante, trazemos novidades para informar cada vez melhor nosso leitores, com uma página dedicada à saúde e outra voltada para os problemas da comunidade. Não poderíamos deixar de agradecer aos leitores, anunciantes e colaboradores pela parceria de sucesso ao longo desses anos. De nossa parte, prometemos continuar na busca incessante por um jornal cada vez melhor.

Muito obrigado!

 

Zé Américo, Eudes Pereira e Daniela Morais



Petrobrás: a destruição de um símbolo

Janeiro de 2016

 

Ela já foi tida como o principal símbolo do “Brasil Gigante”, a menina dos olhos da nação, uma das maiores empresas do mundo. Quem vê a Petrobrás desta segunda década, com suas ações preferenciais valendo igual a uma tapioca, prejuízos bilionários e com sua estrutura administrativa corrompida, jamais imaginaria que uma das empresas de ponta no ramo petrolífero chegaria a esta situação.

A Petrobrás está no olho do furacão da Operação Lava-Jato, o maior trabalho de investigação de crimes de corrupção da história do Brasil. Pelo petroduto da corrupção passaram bilhões em propinas para alimentar políticos e empresários. O trabalho do juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, tem sido considerado exemplar, na medida em que consegue colocar altos figurões dos meios empresarial e político na cadeia. Utilizando a delação premiada – recurso jurídico em que o acusado revela detalhes do crime que cometeu, mediante prova – ele tem avançado substancialmente nas investigações, revelando um mundo de ladroagem, chantagem, propinas e desvio de dinheiro.

O prejuízo acumulado pela Petrobras com desvios é R$ R$ 6,2 bilhões. Some-se a isso a alta do dólar e a queda do preço do barril de petróleo e temos uma queda astronômica no valor de mercado da empresa, da ordem de 85,5%. Em maio de 2008, ela chegou a valer na Bolsa de Valores R$ 510,3 bilhões.  No último dia 18, caiu para R$ 73,7 bi.

A esperança do brasileiro é poder voltar a se orgulhar da principal empresa estatal do país. Que todos os que a levaram a essa situação degradante paguem por seus crimes e que sejam criados mecanismos para que ela não seja mais vítima dos ataques dos gatunos de plantão.



EDITORIAL

DEZEMBRO - 2015

 

Feliz 2016

Toda vez que temos um ano difícil a esperança e o otimismo para o ano seguinte que aumenta. É com essa sensação que chegamos ao apagar das luzes de 2015, cheios de esperança. Este ano não foi dos melhores para a maioria dos brasileiros. Mergulhamos mais ainda numa crise econômica que levou milhões de empregos, diminuiu o poder de compra e fez com que passássemos a conviver com uma velha conhecida, a inflação. Os escândalos na esfera política e governamental se sucederam com velocidade espantosa. Tragédias como as que aconteceram em Paris e Mariana (MG) mostraram que a insensatez e a irresponsabilidade continuam a dizimar vidas inocentes. Enfim, estamos findando um ano que não vai deixar tantas lembranças boas. Que venha logo 2016! A sensação de um recomeço a cada 1º de janeiro nos faz continuar lutando para que as coisas melhorem. É com esse sentimento – um misto de fé e esperança – que estamos nós, do Jornal do Grande Recife, vamos iniciar um novo ano. Queremos agradecer a todos os nossos leitores, colaboradores e anunciantes, que tornaram possível a continuidade da circulação do Grande Recife. Neste ano, circulamos em algumas edições com cadernos extras, no formato tabloide, abordando assuntos específicos, como educação e saúde. Vamos continuar nessa linha, oferecendo aos nossos leitores cada vez mais informação. Esse é o diferencial do jornal, que o mantém na liderança absoluta entre os periódicos da região. Feliz Natal, próspero Ano Novo!

Equipe do GR: Zé Américo, Eudes Pereira e Dani Morais.



EDITORIAL DE SETEMBRO 2015

O dólar a 4 reais

 

No mês em que completa 21 anos, o Real teve uma comemoração indigesta: ultrapassou a barreira dos R$ 4,00 perante o dólar, moeda referência em todo o mundo. Economistas previam esse acontecimento para o mês de dezembro desse ano, mas foram traídos pelo agravamento da crise econômica que se abateu sobre o Brasil nesse segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Um dos fatores que aceleraram a desvalorização do real perante o dólar foi sem dúvida o rebaixamento da classificação do Brasil pela agência de Standard & Poors, que o tirou do grau de investimento. O escândalo revelado pela Operação Lava-Jato, que descobriu roubo bilionário na Petrobrás, a principal empresa do país, também contribuiu para o descrédito do investidor no Brasil.

A presidente Dilma tem feito todo o esforço para estancar a crise econômica. No entanto, a crise política contaminou as finanças do país de tal forma que hoje uma está ligada à outra. Especialistas em economia e política afirmam que enquanto a reforma administrativa não for concluída, o país não recupera sua economia. A redução drástica do número de ministérios, que hoje é de 39, é uma das medidas que a presidente terá que fazer. Junto com essa medida virá o enxugamento da máquina pública, que hoje consome a maior parte do que é arrecadado.

O Brasil vai bater recorde de arrecadação em 2015. Se não tivesse sido tão perdulário nos dois governos do presidente Lula e no primeiro mandato de Dilma, certamente essa crise econômica não teria passad de uma marola. Agora é correr atrás do prejuízo, fazer o dever de casa e tentar respirar a partir do segundo semestre de 2016. Se a presidente conseguir chegar até lá no comando do país.



EDITORIAL - ABRIL

Os 100 dias de Paulo Câmara

 

O governador de Pernambuco Paulo Câmara chegou aos 100 dias de gestão. Trata-se de uma marca consagrada pelos especialistas em administração pública que demonstra a que veio determinado governante. Neste período, dá para avaliar se o gestor público vem dando conta do recado, isto é, se ele está conseguindo colocar a máquina administrativa para funcionar ou se não leva jeito para a coisa.

Após enfrentar um início de governo turbulento, com problemas nas áreas de educação, saúde e principalmente segurança, Paulo Câmara, aos poucos, vai conseguindo contornar os problemas. Ele está conseguindo imprimir sua marca pessoal, apesar das comparações com o ex-governador Eduardo Campos, que o lançou na política. Uma das ações que estão ajudando o governador a melhorar seus índices de popularidade é sem dúvida o programa Todos por Pernambuco, que consiste de reuniões em cidades-polo, nas quais o gestor e seus secretários ouvem as reivindicações da população e das lideranças locais, visando implemantar ações goernamentais, principalmente obras. Já foram realizadas reuniões em cidades como Caruaru e Garanhuns.

Com o objetivo de dar visibilidade ao seu nome, Paulo Câmara vem realizando encontros com lideranças nacionais como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, além do governador de São Paulo Geraldo Alkmin. Esses econtros, além de render aparições na mídia, servem para imprimir uma personalidade própria ao governador.

Tido por muitos como um político sem expressão, uma mera cria de Eduardo Campos, Paulo Câmara vem demonstrando que tem personalidade própria e capacidade de liderança. Se continuar agindo desta forma, certamente alçará voo próprio, liderando o PSB no estado, partido que ficou órfão de comandante desde a morte de Campos.



Editorial de junho

A bolivarização do Brasil

 

Em meio a euforia por conta da Copa do Mundo, muita coisa pode acontecer no Brasil sem que a população tome conhecimento. Aproveitando o fato de que o brasileiro hoje só pensa em Neymar, Felipão e Fred, a presidente Dilma Rousseff enviou à Câmara dos Deputados o Decreto 8.243, que cria a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social”. Sob esses nomes pomposos esconde-se a tentativa de diminuir as instituições e fazer o PT se perpetuar no poder, numa clara afronta à Constituição da República.

O decreto propõe que todos os órgãos da administração pública direta ou indireta tenham em suas instâncias decisivas conselhos formados por integrantes da “sociedade civil”. Ou seja, os ministérios, as estatais, as agências reguladoras, as prefeituras, os órgãos policiais e até as Forças Armadas deverão ter conselhos formados por “cidadãos, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Vemos aqui uma clara estratégia de entregar o comando da máquina do Estado ao que os ideólogos de esquerda chamam de “movimentos sociais”, grupos atrelados principalmente ao PT e a outros partidos ditos de esquerda, a cuja ideologia servem e a cujas ordem obedecem.

Para se ter uma ideia da gravidade desse decreto, se ele for aprovado pelos parlamentares, o MST, movimento que costuma invadir terras alheias, inclusive produtivas, ganhará o direito de exigir assento no Alto-Comando do Exército.

Este decreto é uma clara imitação do que foi colocado na vizinha Venezuela, onde a ditadura disfarçada de Hugo Chavez impôs medidas para se perpetuar no poder.

Desde que chegou à presidência da República que o PT vem fazendo manobras para controlar as instituições. Uma dessas tentativas foi o controle social dos meios de comunicação, que nada mais é do que uma censura à imprensa.

 

Infelizmente, o Brasil ainda não se livrou do viés autoritário, apesar de vivermos numa democracia já há algum tempo. É preciso tomarmos cuidado para não cairmos numa nova ditadura, desta vez de esquerda.



EDITORIAL DE ABRIL

Uma operação desastrosa

 

  Você pagaria R$ 1 mil por um bem que na verdade custasse menos de R$ 100? Isto mesmo, dez por cento do seu verdadeiro valor. Uma operação de compra nesses moldes foi feita pela Petrobras, a principal empresa estatal brasileira, uma das maiores do mundo. A compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, feita na época em que a presidente Dilma Rousseff era presidente do Conselho Administrativo da companhia, deve atrapalhar a corrida pela reeleição dela em outubro próximo.

Em 2005, a belga Transcor/Astra comprou a refinaria de Pasadena por 42,5 milhões de dólares. No ano seguinte, a Petrobras comprou metade das ações da empesa por 429 milhões de dólares. Uma supervalorização de mais de 1.000%. Mas o maior baque veio três anos depois, quando os belgas se “desinteressaram” pela refinaria e obrigaram a estatal brasileira a comprar a outra metade da companhia. Após uma disputa judicial, vencida pelos belgas, a Petrobras desembolsou mais US$ 820 milhões para ficar com a empresa. Total da conta: US$ 1,25 bilhão.

As explicações dadas pela presidente Dilma e por diretores da Petrobras são desencontradas. Inicialmente, ela afirmou que discordou do parecer da operação. Depois disse que a operação não deu prejuízo ao país. No dia 15 deste mês, a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a operação foi um desastre, do ponto de vista contábil. No meio disso tudo, há um ex-diretor da estatal preso, acusado de corrupção, desvio de dinheiro, entre outros crimes contra o sistema financeiro.

O PSDB, liderado por Aécio Neves, e o PSB, do pré-candidato Eduardo Campos, tentam criar uma CPI para investigar a Operação Pasadena, mas o governo vem tentando esvaziá-la, oferecendo uma investigação mais ampla, que inclua o metrô de São Paulo e o porto de Suape, numa tentativa de atingir Neves e Campos.

 

A tendência é não se investigar nada, pois os interesses políticos em jogos são muito grandes, mas a mancha negativa na história da maior empresa do Brasil deverá ficar para sempre. Se o Brasil fosse um país sério, já teriam caído ministros, a diretoria da Petrobras e até a presidente da República estaria balançando no cargo. Mas, como estamos num país onde há leis que pegam e outras não, dá para imaginar o que o futuro nos reserva.



Editorial de março

Nunca mais

No próximo dia 31 completará 50 anos do golpe militar (Revolução para os saudosistas). Embalados pelo momento em que o país vive, com protestos contra tudo e todos, alguns defensores da intervenção militar no país tentam reavivar os ideais que permearam aquele ato. Uma “Marcha da Família com Deus” foi programada para o último dia 22 em várias cidades do país, mas ao que parece o brasileiro já não se interessa pelo tema. No Recife, por exemplo, apenas seis pessoas se reuniram na Praça do Derbi para o evento.

O deputado federal Jair Bolsonaro, que é militar e defensor ardoroso do Golpe, quer promover uma sessão solene na Câmara dos Deputados para lembrar a data. Por outro lado, lideranças de esquerda, como a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) também quer lembrar o Golpe, mas com outra conotação, mostrando pessoas que foram torturadas e perseguidas pela Ditadura Militar. A tendência é a sessão não se realizar, devido ao risco de confronto entre as forças antagônicas.

Aproveitando o momento de certa instabilidade em que o país está vivendo, com manifestações pipocando por todo canto, muitos defendem a volta dos militares ao poder “para colocar ordem no país”, como costumam afirmar. Muitos jovens, que não viveram nem estudaram a fundo sobre o Golpe Militar, acabam aderindo à ideia. Eles não sabem o que aconteceu de fato no país nos anos que se seguiram à implantação da Ditadura Militar. Do contrário estariam rejeitando a ideia da volta dos militares. Não sabem, por exemplo, que milhares de brasileiros foram presos, torturados e até mortos pelo simples fato de sonharem com uma sociedade mais justa. Estes jovens de hoje não sabem que ao longo dos 20 anos do regime de exceção a dívida externa do país cresceu a tal ponto que levou a inflação a níveis estratosféricos, que a corrupção era tão grande ou maior do que a que vemos hoje, que os meios de comunicação viviam sob a vigilância onipresente da Censura. Só era publicado o que interessava ao regime.

 

Esperamos que as pessoas não caiam no discurso falacioso que defende a volta dos militares ao poder como a salvação do Brasil. Alguém já disse: a democracia pode ser o pior dos regimes, mas ainda não inventaram outro melhor.



Editorial de fevereiro

Mais um golpe na democracia

A democracia brasileira sofreu mais um duro golpe no último dia 6, quando o cinegrafista da Rede Bandeirantes Santiago Andrade foi morto, após ser atingido por um rojão numa manifestação no centro do Rio de Janeiro. O assassino foi preso, assim como seu comparsa, Fábio Raposo, que lhe entregou o artefato para ser detonado.

Em entrevista à Rede Globo, Caio Silva de Souza confessou que acendeu o rojão, mas não tinha a intenção de matar ninguém. Só que matou um pai de família que estava exercendo a sua profissão. Além da confissão, ele disse que muitos dos manifestantes, principalmente os arruaceiros chamados black blocks, são pagos por partidos para tumultuar os protestos. “É só a polícia investigar que descobre”, afirmou.

 

Infelizmente, o Brasil ocupa lugar de destaque nas estatísticas mundiais de assassinato de jornalistas. Paradoxalmente, o país vive num regime chamado democrático, mas mata seus jornalistas igual às piores ditaduras. Toda vez que um profissional da imprensa é morto no exercício de sua função, a democracia fica mais pobre. Não dá para se imaginar um país livre e democrático sem uma imprensa livre, que possa exercer seu direito de informar, não importando as consequências para governos ou políticos.


COLUNAS


OPINIÃO